sábado, 21 de janeiro de 2012

Chapada Diamantina

Com o pé quebrado saí de Itacaré. Não voltei por Ilhéus, primeiro porque eu desceria e me afastaria do meu destino, segundo porque já havia "conhecido" a cidade um dia antes da minha partida, quando fui tentar tirar um raio-x do meu pé quebrado, mas o médico não estava fazendo plantão.
Indo de ambulância para Ilhéus
Que a classe médica é cheia de profissionais trabalhadores, não resta dúvida, mas uma parcela significativa se aproveita do caos da saúde pública para receber sem trabalhar. Gostaria de ver um sistema de ponto eletrônico para monitorar esses vagabundos, mas o governo Brasileiro tem um medo absurdo da classe médica, deles fazerem greve. Tudo culpa do foco. Preferem dar ênfase no doente ao invés da prevenção, os profissionais que podem ajudar na prevenção não precisam da capacitação médica, podem ser profissionais de diversas áreas ou mesmo técnicos. Sem contar que é mais barato.
Devaneios a parte, fui por uma estrada de terra que passa por Tamboquinhas
Tamboquinhas
Não desci na cidade, mas mesmo de passagem fiquei com uma boa impressão do lugar. Às margens do rio de contas (caso eu não esteja enganado), o vilarejo parece que teve um auge na época das fazendas de cacau. Depois de Tamboquinhas fui para Ubaitaba.

A cidade fica na BR 101, o pior lugar para pegar carona na Terra. Na boa, é muito difícil pegar carona nessa BR. Fiquei de manhã até anoitecer tentando pegar carona perto de um quebra-molas, fiquei tanto tempo que a mulher da pousada que ficava perto da onde eu estava passou por mim umas 4 vezes. Quando escureceu ela me ofereceu um lugar pra ficar. Eu tinha dinheiro, mas tem horas que você se propõe gastar o mínimo possível, com o pé quebrado/torcido (não sei direito porque não tirei raio-x, mas ele dói até hoje) meu humor foi para as cucuias, mas o gesto dessa senhora me animou. Fez eu relevar o cachorro dela ter mijado em mim.
Dormi numa cama que ficava numa espécie de corredor-quarto, o medo de levarem minha mochila fez o sono ser o mais leve possível. O local era uma pousada, mas servia mais como motel e eu fiquei bolado.
No outro dia de manhã fui bem cedo para o mesmo quebra-molas, com a mesma placa escrita JEQUIÉ. Com algumas horas parou um carro falando que ia para uma cidade perto de Jequié, não me lembro o nome da cidade agora.
O cara tinha voltado dos EUA e estava indo visitar os pais, acho que morava no Rio. Contou algumas histórias da América do Norte, de uma perda total de um carro que o pai dele tinha dado para ele, dessa coisa de pegar carona, etc. ele dirigia bem e a velocidade era boa. Me deixou na rodovia estadual na saída da cidade, disse que era melhor para eu pegar carona, nos despedimos e ele voltou por onde viemos. Foi um cara muito gentil e uma das poucas caronas que consegui na BR 101.
Peguei outra carona, com um cara mais velho e muito mais lento no volante, me deixou em Jequié, mas me lembro muito pouco dele e do caminho.
Em Jequié almocei em um self-service, acessei a internet e peguei um moto-táxi para o trevo da cidade na BR 116.
Novo trevo, nova placa.
Não sabia direito por onde era o melhor caminho, olhei o mapa e escolhi o caminho mais curto. A cidade seria "Milagres", com esse nome na placa conseguiria uma carona fácil, pensei. Dito e feito. Depois uns 30 minutos um motorista de caminhão bem novo, 1 ou 2 anos mais novo do que eu na época, abriu a porta para me levar para Milagres. Amei a BR 116, pelo menos a parte baiana da mesma (no Paraná em outra viagem eu havia odiado essa BR).
Essa hora é um momento apreensivo tanto para o motorista que cede carona, como para o caroneiro. Não tem como evitar alguns pensamentos mais sinistros. Ele fala do radar de monitoramento, eu falo que sou de Vitória. Ele fala que é do Rio Grande do Sul. Pergunto se é Inter, diz que é Grêmio. Isso me preocupa a princípio, mas o cara é legal.


Conversamos sobre esse lance de pegar e dar carona, a estrada, o caminhão, os carros, os ônibus. Estou pela primeira vez dentro de um caminhão viajando e fico impressionado com o conforto e tecnologia. Não lembro o que ele carregava, mas a carga era pesada, o caminhão, apesar de forte e novo, não desenvolvia muito. Me falou das cidades daquela estrada, lembro que uma tinha o nome da quilometragem. Acho que ele ia para Fortaleza ou Recife.
Chegando em Milagres não desci na cidade, falei para ele que tinha um trevo um pouco depois da saída. Pedi para ficar nele.
Era um lugar no meio do nada e o trevo não era bem um trevo. Era uma entrada para uma estrada de terra.
Eu estava no meio do nada com um pé podre, haviam umas pessoas no mesmo trevo, mas não eram de falar e ficaram intrigadas com minha tentativa de carona. O bar estava fechado o que me levou a crer que o lugar não era nada movimentado. Alguns carros passaram, sem sucesso, mas alguns minutos depois um ônibus desses bem velhinhos parou na encruzilhada e carregou todas as almas que estavam naquele lugar esquecido por Deus.
A paisagem já era totalmente diferente de Tamboquinhas, comecei a entrar no que acredito ser uma parte do sertão da Bahia. Os cactos e a paisagem ampla com alguns platôs era alucinante. As fazendas imensas tinham cercas que muitas vezes cercavam o nada. Eu estava tendo um ótimo dia e a impressão que ia me dar mal naquele trevo ficou totalmente para trás, estava indo par Iaçu e tudo ia dar certo.


Chegando em Iaçu um taxista disse que não havia mais ônibus para Itaberaba e me ofereceu o serviço de transporte para essa cidade por uns 60 ou 90 reais, disse para ele que estava vindo de carona de Ubaitaba e que estava fora da minha realidade pagar isso para ir para qualquer da Terra.
Nessas horas não adianta muito você ter um mapa, por mais que você saiba onde você está, muitas vezes esse conhecimento é apenas uma teoria. Eu estava em Iaçu querendo ir para a Chapada Diamantina, nunca estive tão perto e ao mesmo tempo parecia terrivelmente longe.
O valor do táxi esticava a curta distância.
Conforme ele viu que eu não pagaria disse que um ônibus iria passar em pouco tempo. Aliviado esperei pela salvação do busão que deixou Iaçu para trás.

Itaberaba é uma cidade que eu lembro muito pouco. É grande, mas sem uma arquitetura muito memorável. Cheguei na rodoviária e acho que nem saí de lá. Lembro que tinha uma fábrica de tênis de marca (adidas?), comprei uma passagem para Lençóis que sairia no meio da noite. Não chegaria na cidade a tempo de procurar um camping e bastante cansado, mas qualquer lugar estaria perfeito. Eu estava chegando na chapada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Itacaré

Itacaré é um enorme complexo de praias lindas, mulheres lindas, ondas, gringos e dreadlocks. Uma energia intensa controla aquele lugar, deixando todos muito excitados. A capoeira que conhecia como um "jogo-dança-diversão" lá, é uma adrenalina brutal a 200 km/h, onde qualquer vacilo é tchau e benção.
Nos primeiros dias fiquei hospedado no mesmo albergue (pharol) que fiquei na época da minha primeira visita, achei que seria legal ficar lá e cozinhar meu rango, mas os gringos dominavam a cozinha e, nao estava com saco para tirar meu inglês das profundezas oceânicas onde ele estava muito bem localizado.
No dormitório além de mim, tinha um israelense brucutu e, um dia depois, um alemão surfista picareta. Isso foi o suficiente para me mudar, Julio e Gabi voltariam no domingo e eu pensava em ir andando para Barra Grande.
Vou ser resumido, pq esse relato está atrasado em 2 anos.

Achei uma pousada barata e fiquei mais alguns dias, cai de uma árvore morta e vi a sola do meu pé (torci sinistramente), tentei engessar, tirar raio-x e tudo mais, mas o sistema público de saúde já é precário, no interior da bahia é precaríssimo. Peguei carona numa ambulância para Ilhéus (depois soube que a mina estava com suspeita de meningite, ou seja por causa de um pé torcido eu poderia ter morrido! hehehe).
Cansado de Itacaré e com o pé quebrado peguei um ônibus para Ubaitaba (?).

terça-feira, 19 de maio de 2009

Eunápolis

Cheguei na casa de Júlio pela segunda vez e, agora ele já estava morando sozinho, o Marcelo que trabalhava com ele encerrou seu contrato. Era véspera de algum feriado e ele estava planejando ir para Itacaré com a namorada, mesmo conhecendo Itacaré resolvi aproveitar a carona e curtir mais um pouco de praia.

Porto Seguro - Reloaded

Dessa vez na casa dos meus tios em porto seguro só tinha meu tio Áureo presente, tia Beth e Lucas estavam visitando Vitória. Meu tio estava no meio de um grande processo de manutenção na empresa que ele trabalha. Era um procedimento chamado de "parada" e era uma parada (dura) mesmo, sempre chegava tarde e cansado e geralmente tomávamos um vinho e conversavamos até ele pegar no sono. Em Porto fiz mais uma sessão bruta de cinema, assistindo um monte de filmes na sky, eram tantos filmes que no final você não sabe identificar muito o que você viu ou deixou de ver, mas um que vale ser mencionado é o brasileiro Estômago. Muito bom.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Caraíva

5 noites e 6 dias em Caraíva fazem você se desligar um pouco do resto do mundo, meu celular não funcionava e a internet lá custava R$9,00/hora. Ainda assim gastei alguns bons reais alimentando meu vício.
Em Caraíva, ao contrario de trancoso, foi muito mais fácil "fazer amizades". A comunidade era basicamente pesqueira e já havia aprendido um bocado de coisas sobre os pescadores em Regência, sem contar que a pesca é parecida com a de regência porque os peixes são aqueles que vivem no encontro do rio com mar. Por causa das chuvas o rio estava com o volume d'agua lotadão fazendo com que carregasse um monte de matéria orgânica que estava nas margens.
Estou escrevendo sobre dias que estão perto "temporalmente", mas distantes espacialmente. Em Caraíva fiz meu primeiro mês de viagem dançando forró no famoso "forró do pelé" (pelo menos era mencionado numa música), joguei bola com um bando de insanos - com direito a um gol meu e uma defesa de penalti quando estava no gol, conheci índios gente fina e outros pilantrox, fiz um 2x0 no xadrez num brasil vs. argentina no restaurante/bar Lagoa, fiquei acampado por dias com minha mochila e roupas completamente sujas e peguei uma carona para arraial com uma carioca muito psico no volante, a coroa corria alucinadamente na estrada de terra e uma hora quase saiu da pista caindo no atoleiro, para tirar a porra do carro sujei minha última roupa limpa, tinha guardado ela para chegar apresentável na casa dos meus tios em porto seguro.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Praia do Espelho - Caraiva

Acordei cedo e pendurei as coisas que molharam com a chuva na madrugada. Não sei se acordei com o barulho da chuva ou com o calor que começava a agitar a barraca, mesmo achando que fiz a escolha certa trazendo a mais velha, menor e mais leve, as vezes sua costura "cansada" não aguenta o tranco da chuva, isso faz das noites chuvosas um exercício de paciência. Nessa noite tudo isso foi irrelevante, estava cansado o suficiente para ignorar a consciência. Havia amanhecido e Seu Pereira ainda não sabia quem eu era, era nítido que havia deixado ele um pouco inquieto, me apresentei bem cedinho para ele que, gentilmente, me ofereceu café. Tudo lá é muito simples, suas duas filhinhas são encantadoras e receptivas, sua esposa distante, mas educada e ele embora desconfiado soube me tratar bem.
Não demorei muito para juntar minhas coisas e pegar a praia, a idéia era chegar na Praia do espelho perto do meio dia. Nenhuma consulta no google earth dessa vez.
Caminhada longa, o maior trecho depois de itaunas - costa dourada. O tempo era medido através das baias que eu atravessava, cruzei várias praias de camburí, umas 5 ou 6 no total. Cheguei na praia de espelho indo de encontro com uma multidão de turistas "de pacote". O estilo era selvagem, largado e meio índio. Encontrei várias pessoas que estavam em Trancoso, mas isso não fez com que nos comunicassemos. Achei um PF barato, depois de descansar e pegar uma praiana encarei a segunda parte da caminhada.
Esse trecho (espelho-caraíva) é o mais rico em minas d'água, em cada baia você encontra uma bica, sejam as perenes ou as constantes. Quando não aguentava mais o rio caraíva se revelou para mim. Jurava que Caraíva era a ponta de Corumbau, se fosse dormiria em qualquer lugar na praia, mas caraíva estava uns 6km antes de Corumbau e consegui chegar la aos trancos e barrancos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Rio dos Frades

Longas praias, topless, índios bêbados de bicicleta, um rio que estava mais cheio que o previsto, isso são coisas que só uma caminhada pela praia pode lhe proporcionar.
Contemplar o mar até que as ondas limpem seus pensamentos ou acender uma fogueira para fazer um rango faz bem a qualquer ser humano. Parece besteira, mas existe uma mística ao acender uma fogueira. Algo que faz a minha satisfação se assemelhar com a de um antepassado muito antigo. Acho que estou muito jack london nessas sensações.
Caminhei de Trancoso até o rio dos frades em três horas e pouco, fiz um rango na margem do rio e um indio meio cigano me levou para a outra margem. Tirei uma preguiça na casa do simpático "seu pereira", quando dois pescadores de trancoso chegaram lá e armaram uma barraca e tiraram um vasto kit de pesca, logo pedi para acampar lá também. Nem tanto porque estava cansado, mas porque além de ser um lugar muito bonito me pouparia para a praia do espelho, curuipe e quem sabe Caraíva. Os pescadores fizeram um baita cozido roots que salvou a janta.
O clima no rio dos frades à noite não é nada religioso, a região não tem luz e parece com aquilo que chamam de zona de instabilidade. Vai ver era paranóia minha... acordei bem cedo e Pereira ofereceu um café fresquinho. Arrumei minhas coisas e fui para praia do espelho, é uma caminhada tranquila e reflexiva.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Trancoso

A caminhada para Trancoso foi a coisa mais sussegada que já vi na vida, são cerca de 9km pela praia. Na maré baixa a coisa toda fica um tapete. No primeiro rio tirei meus tênis e nunca mais os coloquei. Isso fez com que antigas bolhas (de outros trechos) estourassem, mas nada que afetasse minha caminhada. Não lembro de ter encontrado alguém no caminho, logo que atravessei o último e mais complicado rio antes da cidade, um argentino metido a besta perguntou se eu era guia turistico de trancoso. Falei que nem sabia onde era trancoso, depois vi que é uma espécie de senso comum não informar nada cidade. Quem é jovem e não soube se virar na vida vira guia de turismo lá e, os moradores da cidade se ajudam não informando nada a ninguém. Deixando isso por conta dos fabulosos guias.
Sem guia nem porra nenhuma comecei a andar na cidade, ficou nítida uma reação de desagrado, mas não gosto de perguntar mais de duas vezes para não obter respostas. Caminhei e algum senso primitivo de direção me levou para a estrada. Acho que já comentei aqui ou no meu diario de papel, chegar numa cidade pela praia é sempre uma experiência desbravadora. A praia é sempre uma paisagem nua e a adentrar em cidades ou matas é um exercício de desbravamento.
Procurava por algum acesso alternativo, as falésias pareciam indicar que existia a possibilidade, arrisquei uma ou duas subidas, quando finalmente vi uma escada de barro. Não fazia nem 15 minutos que estava em trancoso e já cheguei no mirante da cidade. Uma paisagem bonita com um mar que tende para o infinito diante dos meus olhos. A velha igreja estava um pouco a esquerda, o cansaço e a fome nublaram minha percepção, eu queria um lugar para encostar minhas coisa e tomar um banho.
Depois de todo trâmite, consegui uma pousada por R$ 20,00/dia. Passaria o feriado da semana santa mais dois dias. Fechar um pacote pode facilitar o preço da hospedagem, mas também podem te colocar numa furada.
Trancoso é um lugar muito bonito, mas é também tipicamente turístico. Nunca me adaptei bem em aceitar o tal do turista, mesmo eu sendo um turista agora.
Um tempo chuvoso somado a uma imensidão de lembranças que começaram a me visitar fizeram de mim um sujeito ainda mais introspectivo. Dormia cedo e não conversava muito, até o último dia eu acreditava que entraria mudo e sairia calado de Trancoso - exceto pelas conversas com os comerciantes, mas esse tipo de gente conversa até com satanás para vender - até que conversei com uma mina que vendia uns artesanatos. Ela foi muito simpática e me deu um monte de contatos na Chapada Diamantina (completando as informações que peguei com o geógrafo Vitor de vitória).
Depois de conviver com lembranças um pouco distantes, desviar de uma infinidade de bostas de cachorro, conviver com a solidão e com o tempo nublado... o frio na barriga voltou novamente a me visitar, eu agora teria que fazer uma longa caminhada até Caraíva, eu sabia que dormiria no caminho, mas onde?

Arraial D'ajuda

Cheguei muito cedo em Arraial, não eram nem 6h da manhã quando cheguei. Caminhei até a praia na busca de um suposto camping depois da barraca do "parracho" (?). Fui caminhando... caminhando... nada de camping. Quando penso que não acabou a praia. Eu não tinha trazido água. Uma laranja que peguei na tia, um pacote de biscoitos e um saco de amendoim faziam parte da minha bagagem alimentícia. Um café da manha vendo o sol nascer na barra de arraial me fizeram decidir, vou caminhando pra trancoso.

Porto Seguro

Fui cedo para porto, uma carona do Julio até a rodoviaria facilitou a coisa toda. Chegando lá teria que esperar cerca de uma hora vendo a Ana Maria braga, meus pensamentos estavam calmos. Os dias em Eunápolis relaxaram meus musculos e esvaziaram minha consciência - eu jurava nisso. Os ônibus da bahia são todos do tipo "parador", aqui chamados de "para-para". A estrada estava tranquila e o ônibus encheu bem. Cheguei em Porto perto das 11h e minha tia Beth e Lucas vieram me receber na rodoviaria alguns minutos depois. Demos uma curta volta pela cidade e depois fomos para sua casa. Que casa! Nunca tive tanto conforto na minha vida! A madrinha, o padrinho e meu primo me proporcionaram dias que pareciam um spa. Fiquei em porto até a madrugada da sexta feira santa. As 4:30am me deram a última ajuda, uma carona até a balsa para Arraial D'ajuda.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eunápolis

Julio me recebeu na rodoviária no belo carro da empresa em que ele está trabalhando. Fizemos uma pequena tour por Eunápolis e logo vi uma cidade esquisita diante de meus olhos. Foi a maior cidade que eu vi depois de vitória, mas não é vertical e por isso parece um pouco menor do que realmente é. Depois de um bom banho peguei minha última muda de roupa e fomos para um bar, precisava de um porre para massagear os músculos e o cérebro do dia cansativo de caronas, ônibus e estradas...
Fomos comer uma batata recheada e depois um monte de cervejas. A noite foi longa e eu estava realmente cansado. Só o alcool para me manter meio zumbi nessas horas. Ainda não sabia quantos dias ficaria nessa cidade, mas Julio logo me disse que precisava viajar para Itabuna para visitar sua namorada, me ofereceu carona, mas eu precisava visitar meus tios em Porto Seguro e não podia subir para Itabuna naquela hora, se fosse depois da visita a Porto, seria perfeito. Não deu para acompanha-lo na estrada. Fiquei mais dois dias na chuvosa Eunápolis esperando não sei o que. Domingo quando Julio voltou tomamos mais umas cervejas, o tempo realmente não ajudava muito.
Segunda fui no mercado trash municipal e joguei dominó com os coroas, ganhei as duas partidas que joguei, talvez essa sorte no jogo me acompanhe na viagem.
Liguei para minha tia e agendei a visita, sei que a casa dela é muito legal e acho que vou fazer de lá um spa. Esse rolê está muito alucinante.

domingo, 12 de abril de 2009

Estrada

Costa Dourada estava com um azul nublado e no segundo dia sem luz na cidade consegui uma carona para o Porto da Tiririca (que leva para mucuri). A carona foi numa pampa muito velha e toda sujeita a defeitos. O lugar que consegui no carro foi obviamente na carroceria e, é claro, choveu pra caramba. A estrada que pegamos é um caminho alternativo que não está no mapa e que corta uma infinidade de eucaliptos. Uma infinidade mesmo, aproximadamente 40km de eucaliptos.
Olhando aquelas árvores magrelas enfileiradas durante muito tempo comecei a enxergar pessoas e escritórios, todos emparelhados caminhando e trabalhando, digitando sicronizados num ritmo tediante. Essa é a mesma visão que tive vendo plantações infinitas de café na serra do caparaó. Como lugares que aparentemente não tem nada a ver com o ritmo de trabalho urbano estão em sintonia com os mesmos, abastecendo esse estilo de vida com cafézinhos e resmas de papéis. Nessa hora eu preferia carregar minha mochila pesada e caminhar durante 2 dias do que empurrar um carro velho e tomar chuva na cabeça, mas acho que se caminhasse com minha mochila molhada não ia chegar muito longe e talvez gastasse mais de 2 dias caminhando até a foz do rio mucuri.
Cheguei em mucuri e me deparei com uma cidade esquisita, nao sei e não deu muito tempo de conferir, mas a reta que peguei era bem feia. Queria sair daquela cidade o mais rápido possível, essa carona matinal me animou. Queria pegar a estrada, queria pegar caronas. Logo me direcionei para a saída da cidade, consegui um cara de carro me cobrou 4 reais para me levar até itabatã (?), esse é o tipo falso caroneiro que eu acho um porre e geralmente é meio esnobe, como se nao precisasse fazer aquilo.
Em Itabatã almocei barato R$ 6,00 e sem balança e logo fui pra BR tentar uma carona, quase 1 hora depois consegui uma carona para Itamaraju, ainda não sabia para onde iria. Peguei um moto taxi na entrada da cidade e por R$ 1,00 fui até a sua saída.
Lá fiquei umas 3 horas tentando pegar uma carona, estava muito dificil. A maioria dos caminhões tem monitoramento e os carros estavam apressados. Já estava cansado, mas ainda na disposição de pegar essa caronma quando uma chuva torrencial caiu na minha cabeça, caminhei pra debaixo de um abrigo um pouco afastado da BR-101, la esperei ela diminuir e quando estava caminhando para perto de uma lombada um busão indo para Eunápolis parou na minha frente. Não pensei muito, meu amigo Julio mora lá e eu estava cansadado de chuva, estradas e caronas por aquele dia. Pague R$ 10,80 e fui para Eunápolis.

sábado, 11 de abril de 2009

Costa Dourada

Caminhar sozinho pode fazer milagres e desastres com o pensamento humano. Cada esquina de areia revelava em seguida uma enormidade de caminho pela frente até que uma hora você não espera mais chegar a lugar nenhum, então cachorros te perseguem no meio do nada e você acha uma espécie de gruta de areia (com forte risco de desmoronamento) onde brota uma água potável (?) refrescante. Você deita uma mochila pesando um pouco mais de 20kg e pensa, pensa baixo porque se começar a falar com a cabeça quente de sol pode simplesmente se perder da raia. Mas finalmente chega o cansaço depois de ficar um bom tempo tentando tirar côcos e com ele um mau-humor que chega a ser existencial. Seus ombros dôem e as memórias que antes era agradáveis e cheias de luz, tornam-se torturantes. Você chega a desejar que elas sejam como marcas na areia que não duram mais que uma maré baixa. Essa caminhada de alguma forma mexeu comigo, antes se tivesse me deixado mais forte, mas parece que minha força, nesses últimos anos, se resume a aguentar mais porrada.
Costa Dourada é aquele lugar que muitos chamam de "mundo novo". Além de uma linda praia não oferece nada. Você pode facilmente ficar acampado em qualquer lugar da cidade sem o menor problema. Além de alguns bares e umas pousadas não vi muita coisa. Parece que tem um pedaço maior que vem do acesso pela estrada, mas não deu para conhece-lo. É diferente você chegar numa cidade pela praia, você se sente meio desbravador. Aqui fiquei na pousada do Gilberto, o lugar é muito legal.
Viajar o sul da bahia no outono é um pouco nublado e com forte chance de chuva, pelo menos nessa minha temporada. Fiz uns alongamentos marinhos e curti umas caminhadinhas. Consegui uma carona pro porto de mucuri... agora tenho uma infinidade de destinos pela minha frente.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Itaunas

Uma semana em itaunas fora de temporada pode fazer você pensar nas propriedades "elásticas" do tempo. Ainda mais se a chuva visita o acampamento com frequencia. Eu não sabia muito o que fazer lá, acho que a maioria das pessoas não sabem o que fazer por lá. Caminhei um dia para riacho doce e na volta vim correndo por causa da lenda da maré alta prender pessoas na praia deserta. Isso me custou uns 3 dias com a perna doendo um bocado. De Itaunas para Riacho Doce são entre 7 e 8km, ainda não tenho preparo para correr 8km na areia, ainda mais quando me esqueço de alongar essas juntas tortas. Fiz outras caminhadas na praia terapêuticas, junto com tai chi chuan marítimo para recuperar a batata da perna direita. Também fiz uma foqueira na praia para melhorar a arte do fogo, é legal acender uma fogueira no meio da areia com madeiras que o mar trouxe para a praia, você se sente... into the wild. ehehhe Em Itaunas fiz amizade com um monte de velhos com tendência para o alcoolismo o que facilitou a comunicação e a embriaguez.
Acho que Itaunas está um pouco decadente, não sei dizer. A juventude é legal, mas sem perspectiva e os velhos parecem já ter olhado para o abismo e o abismo parece já ter olhado para eles.
Em Itaunas tive o desprazer de ler "o apanhador no campo de centeio" cujo personagem é, entre todos os que conheci na literatura, o cara que mais reclama da vida, tudo bem se não fosse de um jeito pequeno-burguês chato pra caralho. Quase terminei também "a muralha da china" do kafka, mas a chuva parou de cair e fui andando para Costa Dourada.

terça-feira, 24 de março de 2009

Regência

Cheguei à Regência quinta-feira trazendo comigo o vento sul e o outono. O ônibus de Vitória pra cá custou 24 reais e o simpático motorista não me deixou no trevo para Regência. Essa gentileza além de me custar mais uma passagem, impossibilitou qualquer chance de carona. De Linhares para Regência gastei mais R$ 11,50. A praia aqui não é tão salgada por causa da influência do rio doce, mas o mar é insanamente agitado. Não tive coragem de nadar naquelas águas. Não existe muita coisa além da praia e da pesca e fora de temporada a maioria dos campings ficam fechados, soube que teve um forró no sábado, mas estava cansado.
Com o fim do tabagismo duas coisas aconteceram com meu corpo: estou sentindo melhor os gostos e aromas e fico encontrando constantemente situações “tabagisticas”. Agora minha amiga de toda hora, a nicotina, virou um fantasma camarada. Já havia pensado sobre o fim do vício numa frase do outro blog ("parar com um vício faz você se sentir forte, se entregar a ele faz você se sentir acompanhado") e essa sensação de força aconteceu mesmo! Aqui em regência corri na praia todos os dias quando não ajudei os pescadores a mirarem as redes e esticá-las na foz do rio. No dia que fiquei de ressaca perdi uma muqueca no barco, não sei porque mas tenho a impressão que essa muqueca de barco é a melhor que existe.
Aqui fiz amizade com essa “classe”, não sei se é a influência marítima, mas não vi um pescador sequer que não fosse engraçado. E como eles gostam de pinga! Jesus! Eu corria de manha e me matava na pinga de noite.
Hoje viajo para Itaunas.

www.flickr.com/photos/vagabundoiluminado

terça-feira, 17 de março de 2009

Roteiro planejado

Regência
Itaunas
Praias do sul da bahia
Porto Seguro
Eunápolis
Chapada Diamantina
Xique-Xique
Descer São Francisco
Olinda
"Buraqueira recife-olinda"
Natal
São Luis (alcantara ?)

--- Até aqui arrisco planejar algum percurso.