sexta-feira, 3 de abril de 2009

Itaunas

Uma semana em itaunas fora de temporada pode fazer você pensar nas propriedades "elásticas" do tempo. Ainda mais se a chuva visita o acampamento com frequencia. Eu não sabia muito o que fazer lá, acho que a maioria das pessoas não sabem o que fazer por lá. Caminhei um dia para riacho doce e na volta vim correndo por causa da lenda da maré alta prender pessoas na praia deserta. Isso me custou uns 3 dias com a perna doendo um bocado. De Itaunas para Riacho Doce são entre 7 e 8km, ainda não tenho preparo para correr 8km na areia, ainda mais quando me esqueço de alongar essas juntas tortas. Fiz outras caminhadas na praia terapêuticas, junto com tai chi chuan marítimo para recuperar a batata da perna direita. Também fiz uma foqueira na praia para melhorar a arte do fogo, é legal acender uma fogueira no meio da areia com madeiras que o mar trouxe para a praia, você se sente... into the wild. ehehhe Em Itaunas fiz amizade com um monte de velhos com tendência para o alcoolismo o que facilitou a comunicação e a embriaguez.
Acho que Itaunas está um pouco decadente, não sei dizer. A juventude é legal, mas sem perspectiva e os velhos parecem já ter olhado para o abismo e o abismo parece já ter olhado para eles.
Em Itaunas tive o desprazer de ler "o apanhador no campo de centeio" cujo personagem é, entre todos os que conheci na literatura, o cara que mais reclama da vida, tudo bem se não fosse de um jeito pequeno-burguês chato pra caralho. Quase terminei também "a muralha da china" do kafka, mas a chuva parou de cair e fui andando para Costa Dourada.

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