A caminhada para Trancoso foi a coisa mais sussegada que já vi na vida, são cerca de 9km pela praia. Na maré baixa a coisa toda fica um tapete. No primeiro rio tirei meus tênis e nunca mais os coloquei. Isso fez com que antigas bolhas (de outros trechos) estourassem, mas nada que afetasse minha caminhada. Não lembro de ter encontrado alguém no caminho, logo que atravessei o último e mais complicado rio antes da cidade, um argentino metido a besta perguntou se eu era guia turistico de trancoso. Falei que nem sabia onde era trancoso, depois vi que é uma espécie de senso comum não informar nada cidade. Quem é jovem e não soube se virar na vida vira guia de turismo lá e, os moradores da cidade se ajudam não informando nada a ninguém. Deixando isso por conta dos fabulosos guias.
Sem guia nem porra nenhuma comecei a andar na cidade, ficou nítida uma reação de desagrado, mas não gosto de perguntar mais de duas vezes para não obter respostas. Caminhei e algum senso primitivo de direção me levou para a estrada. Acho que já comentei aqui ou no meu diario de papel, chegar numa cidade pela praia é sempre uma experiência desbravadora. A praia é sempre uma paisagem nua e a adentrar em cidades ou matas é um exercício de desbravamento.
Procurava por algum acesso alternativo, as falésias pareciam indicar que existia a possibilidade, arrisquei uma ou duas subidas, quando finalmente vi uma escada de barro. Não fazia nem 15 minutos que estava em trancoso e já cheguei no mirante da cidade. Uma paisagem bonita com um mar que tende para o infinito diante dos meus olhos. A velha igreja estava um pouco a esquerda, o cansaço e a fome nublaram minha percepção, eu queria um lugar para encostar minhas coisa e tomar um banho.
Depois de todo trâmite, consegui uma pousada por R$ 20,00/dia. Passaria o feriado da semana santa mais dois dias. Fechar um pacote pode facilitar o preço da hospedagem, mas também podem te colocar numa furada.
Trancoso é um lugar muito bonito, mas é também tipicamente turístico. Nunca me adaptei bem em aceitar o tal do turista, mesmo eu sendo um turista agora.
Um tempo chuvoso somado a uma imensidão de lembranças que começaram a me visitar fizeram de mim um sujeito ainda mais introspectivo. Dormia cedo e não conversava muito, até o último dia eu acreditava que entraria mudo e sairia calado de Trancoso - exceto pelas conversas com os comerciantes, mas esse tipo de gente conversa até com satanás para vender - até que conversei com uma mina que vendia uns artesanatos. Ela foi muito simpática e me deu um monte de contatos na Chapada Diamantina (completando as informações que peguei com o geógrafo Vitor de vitória).
Depois de conviver com lembranças um pouco distantes, desviar de uma infinidade de bostas de cachorro, conviver com a solidão e com o tempo nublado... o frio na barriga voltou novamente a me visitar, eu agora teria que fazer uma longa caminhada até Caraíva, eu sabia que dormiria no caminho, mas onde?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
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